10ª Edição – Ostara 2009

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9ª Edição – Imbolc 2009

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A partida do Rei Azevinho e a chegada do Rei Carvalho – Um mito de Yule

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Em meio à temível escuridão do Inverno, a Deusa voltou Seus olhos para a Terra. Avistando a calma, inerte e peculiar beleza que repousava nas árvores sem folhas, na neve que cobria o solo e em Suas criaturas, agora reunidas em suas cavernas e casas para fugir do frio, resolveu descer ao Mundo para dar fim ao implacável período mortal que se estendia sobre todas as formas viventes.

Embora soubesse que o florescer e frutificar da Terra, bem como a gestação da nova Criança, haviam Lhe deixado cansada e que o tempo de escuridão fosse, então, mais do que necessário, a Senhora sabia que, acima de tudo, os Ciclos da Vida eram tão belos e poderosos quanto os Ciclos da Morte, e começavam a agitar-se nas profundezas do solo, lutando contra o inverno gelado para renascer. Ela sabia que era momento de retirar, finalmente, Seu manto branco que se estendia pelas florestas e vales, abrindo espaço para que estes pudessem tornar-se novamente verdes, pulsantes com energia vivente.

A noite era a mais longa e mais escura que já havia se visto. Movimentando-se com dificuldade devido aos avançados estágios de Sua gravidez, a Mãe de todas as coisas adentrou a floresta agora negra, buscando Aquele que comandava esta época do ano. Calmo, silencioso e taciturno, o Rei Azevinho esperava-A em meio às arvores nuas. Sua coroa de viçosas folhas verdes e os rubros frutos que a cobriam pareciam um tesouro em meio aos galhos secos espalhados por toda a parte, como se uma estranha magia os tivesse conferido o poder de sobreviver a estes difíceis tempos. Seus olhos eram firmes, Seus lábios cerrados pareciam esboçar um sorriso incompreensível, resistente, único. A Portadora da Vida sabia que seria difícil convencê-Lo a retirar-se. No entanto, ao sentir a Criança da Vida mover-se em Seu ventre, Ela tinha certeza: era chegado o momento.

Após uma breve saudação carregada de poder, a Deusa voltou Seus olhos para o Oeste, mostrando ao Deus Azevinho a direção que Ele deveria tomar. Não se podia ver nada além de um caminho tortuoso que terminava em escuridão. “Por que eu deveria ir?”, perguntou Ele. “Os tempos devem mudar”, respondeu a Deusa, “e aqueles que um dia governaram devem ceder lugar à nova vida, para que o equilíbrio no mundo seja restabelecido. Você sabe disso tão bem quanto Eu.”

O Deus contemplou a calma da floresta, num gesto que pareceu durar tanto quanto a nota de uma harpa ecoando em uma sala vazia. “Eu não posso ir”, disse Ele, “não agora. Você, Senhora, que vê além da tristeza, sabe que este é também um belo tempo. Repare no suave amor com que o gelo beija a Terra, e na esperança de Minhas verdes folhas, que mostram Minha soberania, exercida com direito e propriedade”.

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A Deusa sorriu. Seus lábios pareciam compreender o Rei do Gelo, mas demonstrava

m uma sabedoria ainda maior do que a dele. Ela disse: “Belas são as Suas palavras, Meu filho e amigo. No entanto, não se esqueça: a Terra deixa-se beijar, mas pode envolvê-Lo no mais mortal e eterno dos abraços. E o que será de Suas verdes folhas quando a escuridão eterna roubar delas o brilho que as sustenta? Sem a ajuda da Criança que se prepara para tomar o Seu lugar, você não terá mais coroa, nem trono.”

“Criança! Minha Amada, Minha Mãe, Minha Senhora! Olhe para Mim; veja a sabedoria do tempo estampada em Minha Face, em Meus olhos, em Minha barba! Por que Eu, que sou o Senhor do Conhecimento, devo ser substituído por uma Criança?” – disse o Rei azevinho, gargalhando. “Que poder pode tão pequena e inocente criatura ter, que seja maior do que o Meu?”

Ela quase deixou levar-se pelas palavras do Senhor da Morte, mas sabia: Ele podia ser ousado o bastante para manipular palavras e tentar convencer a Ela, que O havia gerado; mas não havia palavras que pudessem convencer a Senhora de Todos os Ciclos a agir contra Sua própria natureza. Ela respondeu-Lhe da maneira mais coerente, e, portanto, mais verdadeira: “O Filho que espero pode ser agora pequeno, mas tem tanto poder quanto Você próprio, uma vez que ambos foram gerados em Meu condescendente ventre, e conhecem igualmente Meus Mistérios. Nós sabemos: Ele crescerá. Ele o faz até mesmo enquanto dialogamos, e torna-se cada vez mais próxima a hora de Seu nascimento. E à medida em que crescer, terá cada vez maior poder para degelar esta neve sob nossos pés. E então, eu vestirei Meu manto de beleza para saudá-Lo, para amá-Lo, de modo a restituir a vida e abundância a todas as Minhas Criaturas.”

“Eu não o vejo crescer”, disse o Rei do Inverno, estendendo Suas mãos para recolher alguns flocos de neve que caíam dos céus. “Vejo apenas neve, gelo, e frio. Vejo o Inverno.”

“Você mesmo disse que vejo além da tristeza. Pois bem, é verdade. Meus olhos vêem além da neve, e meus ouvidos escutam as árvores sussurrarem enquanto seus galhos se tocam. Preste atenção, Filho, repare no som dos carvalhos brotando sob a neve, tão lentamente, tão suavemente!” A Deusa apontou para baixo, e de Suas mãos pareceram surgir pequenas fagulhas, que desceram até o solo, abrindo espaço na neve e mostrando ao Deus os pequenos brotos quase invisíveis que cresciam sob o gelo. “Tudo vai, e tudo vem. Tudo morre, tudo renasce. Enquanto você reina, a vida lentamente caminha em sua direção, clamando por espaço. Até mesmo Eu, que sou a Senhora de Todas as Coisas, deixo a vida preencher-Me!” E colocando as mãos em Seu ventre pleno, a Deusa convenceu, enfim, o Rei do Inverno de que Morte e Vida pareciam ser opostas, mas eram irmãs, filhas Dela mesma, Senhora daquilo que é, foi e ainda será. “Receba comigo a Criança da Promessa, e recolha-se, Sábio Azevinho, pois chegará também o Seu momento de retornar.”

A Deusa deu alguns passos em direção ao Leste, e assim permaneceu por alguns instantes, de modo que o Rei Azevinho via apenas Suas costas. Subitamente, um clarão surgiu em frente à Deusa, que cantava. A Luz era tão forte que Ele teve que cerrar os olhos. A Senhora então voltou-se para Ele. Nos braços da Grande Mãe, havia um pequeno bebê, de onde vinha o brilho e a luz da Vida. Ele era tão belo, que fez o Rei Azevinho sorrir.

“A Criança da Promessa retornou”, disse a Mãe dos Deuses. “Vamos saudá-la, pois agora temos a certeza de que a vida se derramará novamente sobre a Terra. O Rei Carvalho deve agora governar. E você, Rei Azevinho, deve ir agora. Nós o agradecemos por ter protegido o mundo durante este período de escuridão, e desejamos harmonia em sua jornada rumo às terras além do Oeste. Nós cuidaremos de Seu Reino, e aguardaremos também o Seu retorno, quando for o momento do Rei Carvalho despedir-se para que a vida continue, assim como Você agora o faz. Tudo o que vai deve um dia retornar. Lembremo-nos sempre desta máxima sagrada.”

Com as palavras e as bênçãos da Senhora, o Rei Azevinho entregou sua coroa à floresta e partiu em direção aos caminhos do Oeste, de onde, como proferiu a Deusa, Ele um dia retornará. Mas isso é parte de outra história… por enquanto, saudemos o Rei Carvalho e abracemos, com vontade, a nova vida. Feliz Yule!

the_holly_king_by_hikari_ryuO mito do Rei Carvalho e do Rei azevinho é um dos mais tradicionais nas épocas de Litha e Yule. Enquanto em Litha, o Rei Carvalho é desafiado pelo Rei Azevinho, que chega para governar a metade fria e escura do ano, o contrário ocorre em Yule. A noite mais longa do ano nos lembra que a Luz retorna ao mundo. Os dias serão cada vez mais longos, e em breve o Sol voltará a nos aquecer e trazer a vida de volta à Terra.

Assim como o Rei Azevinho finalmente se convence de que a Criança da Promessa deve governar, deixemo-nos inspirar por este mito e celebrar nossa Criança interior. Vamos celebrar a vida, a esperança e a promessa de dias mais quentes, melhores, com mais amor e beleza. Sejam abençoados!

Lullu Saille é Alta Sacerdotisa da Tradição Diânica Nemorensis, atualmente mora na Alemanha com seu marido e sua filha a Princesa Sophie.

Lullu Saille é Alta Sacerdotisa da Tradição
Diânica Nemorensis, atualmente mora na
Alemanha com seu marido e sua filha a Princesa
Sophie.

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YULE – Solstício do Inverno

21/dez H. N

21/Jun às 02h45min H. Syule 5

Yule é a noite mais longa do ano, nesse Sabbat nós bruxos reverenciamos o Deus renascido que governa a metade clara ano, a Deusa dá a luz ao Deus, que é homenageado como A Criança da Promessa.

Os costumes modernos que estão associados ao dia cristão do Natal, como o ato de colher ramos de visco (considerado pelos Druidas como mágico por possuir poderes de cura), o azevinho (que possui frutos vermelhos associados ao sangue menstrual da Deusa), as guirlandas são costumes pagãos que foram absorvidos pela Igreja Cristã, quando o Catolicismo começou a se estabelecer como religião predominante na Europa.

Até mesmo o maior símbolo do Natal cristão, a decoração da árvore, teve origem nos antigos costumes pagãos, onde as famílias traziam para dentro das casas uma linda e verde árvore, para que os Espíritos da Natureza tivessem um lugar aconchegante para passar o inverno, estes espíritos eram presenteados com os enfeites colocados nestas árvores e pedidos de força e esperança eram feitos.

Yule representa o retorno da luz, o retorno das esperanças, do calor e da fertilidade à Terra, celebrar o Yule é reafirmar a continuação da vida, pois o tempo é de reverenciar o Espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentarmos os obstáculos e dificuldades que virão até a chegada da Primavera, é tempo de pedirmos aos Deuses que rejuvenesçam nossos corações e nos dêem forças para nos libertarmos das coisas antigas ou desgastadas.

Comidas: Bolos de Frutas, nozes, pães variados, vinho quente, uvas, maças e melões.

Cores: vermelho, verde, dourado e branco.

Deuses: O Deus como criança da Promessa e a Deusa como sua mãe.

Ervas: Azevinho, carvalho, visco, alecrim, urze, cedro, pinho, louro.

Pedras: Rubi, granada e olho de gato.

Erina Lyonesse é sacerdotisa da Tradição Diânica
Nemorensis, professora de Geografia e
Mitologia.

Erina Lyonesse é sacerdotisa da Tradição Diânica Nemorensis, professora de Geografia e Mitologia.

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Yule Log – Tronco de Yule

Em tempos pré-históricos, o
inverno foi um momento muito difícil para
o povo aborígine em latitudes do norte. As
tribos tinham que viver de armazenagem
de alimentos, animais e o que poderia
pegar. Eles temiam que o Sol desaparecesse
deixando-os em completa escuridão e frio.
A necessidade de calor e de fogo trouxe a
origem deste nosso costume, o Tronco de
Yule.
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Nesta noite mais longa do ano muitas são as
histórias sobre queimar o tronco de Yule,
nossos ancestrais acreditavam que com
esse ato afastariam os maus espíritos.
Com a evolução do tempo o Yule log se
transformou em um grande símbolo do
Sol s t í c io de inve rno, ut i l i z ando
ingredientes propícios desta época
encantamos nossa celebração com um
lindo bolo em forma de tronco trazendo a
tradição para nossa mesa.
Yule Log de chocolate….
Massa:
i6 ovos
i 3 xícaras de açúcar
i 3 xícaras de farinha de trigo
peneiradas
i 1 xícara de leite fervendo
i 2 colheres de sopa de fermento em pó
Modo de Preparo
Bata as claras em neve até ficar bem
consistente, acrescente as gemas uma a
uma sem parar de bater. Ainda sem parar de
bater coloque o açúcar e deixe bater até
ficar branquinho.
Desligue a batedeira, misture levemente
com uma colher, a farinha peneirada.
Coloque o fermento no leite fervendo e
despeje na massa então pode tornar a bater.
Asse em forno pré-aquecido por mais ou
menos 40min em forma untada e
enfarinhada.
Recheio:
Bater 4 gemas com 4 colheres (sopa) de
açúcar, juntar 4 colheres (sopa) de nozes
moídas e levar ao fogo, mexendo sempre,
até aparecer o fundo da panela.
Cobertura:
i 400g de chocolate meio amargo
i 1 xícara (café) de mel
Modo de Preparo:
Leve em banho-maria o chocolate e o mel.
Assim que o chocolate estiver derretido,
retire do fogo e bata com colher de pau até
consistência de creme.
Decore com cerejas e lascas de figo…
Feliz Yule, que o Yule log tragas doces
bênçãos! s
Ferris Noland é dedicado da Tradição Diânica
Nemorensis, mora em Brasília e desenvolve um
trabalho na área da gastronomia pagã que está
conquistando adeptos em todo Brasil.

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Em tempos pré-históricos, o inverno foi um momento muito difícil para o povo aborígine em latitudes do norte.As tribos tinham que viver de armazenagem de alimentos, animais e o que poderia pegar. Eles temiam que o Sol desaparecesse deixando-os em completa escuridão e frio. A necessidade de calor e de fogo trouxe a origem deste nosso costume, o Tronco de Yule.

Nesta noite mais longa do ano muitas são as histórias sobre queimar o tronco de Yule, nossos ancestrais acreditavam que com esse ato afastariam os maus espíritos. Com a evolução do tempo o Yule log se transformou em um grande símbolo do Sol s t í c io de inve rno, utilizando ingredientes propícios desta época encantamos nossa celebração com um lindo bolo em forma de tronco trazendo a tradição para nossa mesa.

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Yule Log de chocolate…

Massa:

Ingredientes

6 ovos

3 xícaras de açúcar

3 xícaras de farinha de trigo peneiradas

1 xícara de leite fervendo

2 colheres de sopa de fermento em pó

Modo de preparo:

Bata as claras em neve até ficar bem consistente, acrescente as gemas uma a uma sem parar de bater. Ainda sem parar de bater coloque o açúcar e deixe bater até ficar branquinho. Desligue a batedeira, misture levemente com uma colher, a farinha peneirada.

Coloque o fermento no leite fervendo e despeje na massa então pode tornar a bater.

Asse em forno pré-aquecido por mais ou menos 40min em forma untada e enfarinhada.

Recheio:

Bater 4 gemas com 4 colheres(sopa) de açúcar, juntar 4 colheres(sopa) de nozes moídas e levar ao fogo, mexendo sempre, até aparecer o fundo da panela.

Cobertura:

400g de chocolate meio amargo

01 xícara (café) de mel

Modo de Preparo:

Leve em banho-maria o chocolate e o mel. Assim que o chocolate estiver derretido, retire do fogo e bata com colher de pau até consistência de creme.

Decore com cerejas e lascas de figo…

Feliz Yule, que o Yule log tragas doces bênçãos.

Ferris Noland é dedicado da Tradição Diânica Nemorensis, mora em Brasília e desenvolve um trabalho na área da gastronomia pagã que está conquistando adeptos em todo Brasil.

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Festa Junina – A vida purificada no fogo pagão

lhe sobra em interesses comerciais. Porém,
não podemos negar que também somos
passíveis de gostar de alguns costumes das
festas Juninas, como por exemplo, as
comidas típicas, bebidas quentes e a
fogueira. E não devemos recear diante
desse gosto, pois pode estar no nosso
passado a relação que temos com essa festa
que é em sua origem a celebração do
Solstício de Verão no hemisfério norte.
Origem Histórica
A festa que originalmente comemora o
solstício de verão no dia 24 de junho no
hemisfério norte, foi transformada em uma
comemoração cristã na Idade Média, e
batizada como Festa de São João. A data
escolhida pela igreja católica para marcar
como nascimento de São João Batista
(aquele que purificava os judeus pecadores
no Rio Jordão) não foi ao acaso. Na cultura
pagã, em diversas ocasiões os elementos
água e fogo são utilizados para a realização
de purificação, através de banhos, infusões,
queimas e outros. Já o simbolismo bíblico
de João (o purificador) é o mesmo dos
elementos água e fogo no paganismo, que
pode ser constatado até mesmo nos
evangelhos pelas palavras do próprio “Eu
utilizo a água, mas aquele que vier depois
de mim batizará com o fogo”. Com essa
relação, era possível que a igreja realizasse
a transição religiosa de pagãos à cristãos,
sem que sofressem grandes impactos
culturais, e dessa forma aceitassem as
mudanças sem questionamento.
A igreja católica no concilio no ano de 452,
reuniu bispos da França e Itália para
combater costumes pagãos, declarando a
repressão cultural com afirmações como a
seguinte: “Que ninguem, na festa de São
João ou determinadas solenidades ligadas
aos santos, se dedique a observar os
solstícios, as danças e os cantos diabólicos”.
Com o passar do tempo, a purificação pela
água foi eliminada pela igreja, mas a
tradição da fogueira foi mantida e o
costume de pulá-las em busca de
purificação é realizada até a atualidade com
outras motivações.
Acesse o nosso blog e confira em breve o
link para as fotos da 5ª Conferência de
Wicca e Espiritualidade da Deusa.
Feliz Yule a todos!!
Sobrevivendo ao tempo
Mesmo que combatidas ferozmente pelas
cruzes da igreja, as fogueiras pagãs
resistiram ao tempo. As manifestações
Pagãs da festa resistem e vivem em outras
culturas pelo mundo, mesmo que
discretamente. Na França, às margens do
rio Loire, eram promovidos banhos
ritualísticos para eliminar energias
negativas, realizando assim, a purificação
do corpo. Nessas ocasiões, também era
possível observar as barcas em chamas, que
podiam ser vistas pelo rio purificando pelo
fogo.
Em alguns outros lugares, as tradições
mágicas do paganismo anteriormente
realizadas no solstício de verão, sobrevivem
e são praticadas sob máscaras e
nomenclaturas cristãs. Como por exemplo,
a tradição de beber o “orvalho de São João”
com o objetivo de que esse fluido pudesse
purificar as pessoas que o ingerisse.
Em outra situação, moças se adornavam
com flores vermelhas para dançar em torno
do fogo, a fim de melhorar a sedução do
futuro noivo. Aqui no Brasil, apesar de
muito modificada, essa tradição é tida
como danças de quadrilhas em torno das
fogueiras e casamentos cênicos. E por
último, vale citar também que no leste da
França, resistia o costume de arremessar
gui r landa de palha em chamas ,
simbolizando a roda do ano, do alto das
colinas para que fosse possível a
purificação e fertilização do solo pelas
forças masculinas do Sol sobre a Terra.
No fim das contas, mais uma vez,
concluímos que não importa quanto tempo
e espaço nos distanciam dos nossos
antepassados pagãos. Pois constantemente
estamos revivendo em nossos corações
aquilo que é mais importante, que é o
sentimento antigo vivo na atualidade.
Vivemos o contato direto com as nossas
origens pagãs, mesmo que disfarçadas com
máscaras do presente. O passado revive em
nossa essência, trazendo no frio de junho a
lembrança do calor da roda nórdica que
atravessou os séculos. s
André Correia
Psicólogo Clínico e Bruxo
andrecorreiapsi@hotmail.com

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Já é do nosso conhecimento que muitas das festas e comemorações da cultura brasileira atual são baseadas no calendário e costumes cristãos. O que poucas pessoas sabem, é que muitas dessas festas e costumes celebrados e festejados são enraizados nas culturas pré-cristãs e recheadas de simbolismos, magia e espírito pagão. Sabendo isso, é possível relacionarmos as festas ditas cristãs, como a Páscoa, o Natal, o Dia de Finados e a Festa Junina, com as festas pagãs Ostara, Yule, Samhain e Litha respectivamente (com adaptações a roda norte/sul).

No Brasil uma das festas mais esperada e amplamente comemorada, é a Festa Junina. Sempre marcada pelas noites frias, ao contrário do que acontecia no hemisfério norte, no seu passado histórico.

Nos costumes brasileiros, as igrejas das cidades realizam quermesse com muitas atrações para recolher lucros em troca de algumas prendas. Não é difícil reconhecer que tal costume, pouco tem de religioso, e lhe sobra em interesses comerciais. Porém, não podemos negar que também somos passíveis de gostar de alguns costumes das festas Juninas, como por exemplo, as comidas típicas, bebidas quentes e a fogueira. E não devemos recear diante desse gosto, pois pode estar no nosso passado a relação que temos com essa festa que é em sua origem a celebração do Solstício de Verão no hemisfério norte.

Origem Histórica

A festa que originalmente comemora o solstício de verão no dia 24 de junho no hemisfério norte, foi transformada em3168126389_544d04e739 uma comemoração cristã na Idade Média, e batizada como Festa de São João. A data escolhida pela igreja católica para marcar como nascimento de São João Batista (aquele que purificava os judeus pecadores no Rio Jordão) não foi ao acaso. Na cultura pagã, em diversas ocasiões os elementos água e fogo são utilizados para a realização de purificação, através de banhos, infusões, queimas e outros. Já o simbolismo bíblico de João (o purificador) é o mesmo dos elementos água e fogo no paganismo, que pode ser constatado até mesmo nos evangelhos pelas palavras do próprio “Eu utilizo a água, mas aquele que vier depois de mim batizará com o fogo”. Com essa relação, era possível que a igreja realizasse a transição religiosa de pagãos à cristãos, sem que sofressem grandes impactos culturais, e dessa forma aceitassem as mudanças sem questionamento.

A igreja católica no concilio no ano de 452, reuniu bispos da França e Itália para combater costumes pagãos, declarando a repressão cultural com afirmações como a seguinte: “Que ninguem, na festa de São João ou determinadas solenidades ligadas aos santos, se dedique a observar os solstícios, as danças e os cantos diabólicos”.

Com o passar do tempo, a purificação pela água foi eliminada pela igreja, mas a tradição da fogueira foi mantida e o costume de pulá-las em busca de purificação é realizada até a atualidade com outras motivações.

Sobrevivendo ao tempo

Mesmo que combatidas ferozmente pelas cruzes da igreja, as fogueiras pagãs resistiram ao tempo. As manifestações Pagãs da festa resistem e vivem em outras culturas pelo mundo, mesmo que discretamente. Na França, às margens do rio Loire, eram promovidos banhos ritualísticos para eliminar energias negativas, realizando assim, a purificação do corpo. Nessas ocasiões, também era possível observar as barcas em chamas, que podiam ser vistas pelo rio purificando pelo fogo.

Em alguns outros lugares, as tradições mágicas do paganismo anteriormente realizadas no solstício de verão, sobrevivem e são praticadas sob mascaras e nomenclaturas cristãs. Como por exemplo, a tradição de beber o “orvalho de São João” com o objetivo de que esse fluido pudesse purificar as pessoas que o ingerisse. Em outra situação, moças se adornavam com flores vermelhas para dançar em torno do fogo, a fim de melhorar a sedução do futuro noivo. Aqui no Brasil, apesar de muito modificada, essa tradição é tida como danças de quadrilhas em torno das fogueiras e casamentos cênicos. E por último, vale citar também que no leste da França, resistia o costume de arremessar guirlanda de palha em chamas, simbolizando a roda do ano, do alto das colinas para que fosse possível a purificação e fertilização do solo pelas forças masculinas do Sol sobre a Terra.

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No fim das contas, mais uma vez, concluímos que não importa quanto tempo e espaço nos distanciam dos nossos antepassados pagãos. Pois constantemente estamos revivendo em nossos corações aquilo que é mais importante, que é o sentimento antigo vivo na atualidade. Vivemos o contato direto com as nossas origens pagãs, mesmo que disfarçadas com máscaras do presente. O passado revive em nossa essência, trazendo no frio de junho a lembrança do calor da roda nórdica que atravessou os séculos.

André Correia é psicólogo clínico e bruxo andrecorreiapsi@hotmail.com

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Agradecimentos

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Pessoal, 

Quero agradecer a presença de todos nessa 5ª Edição da Conferência de Wicca.
O evento foi muito lindo e superou todas as minhas expectativas.
Meu muito obrigado a todos os palestrantes que doaram o seu conhecimento e energia e a todos os participantes que reservaram um pouquinho do seu tempo para fazer desta edição da CWED um evento inesquecível.
Estar com todos vocês em um final de semana tão mágico é sempre muito gratificante.
Estaremos juntos também em 2010!

Bênçãos de Ísis, 
~Claudiney Prieto

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