Sob o véu de Ísis

           00300Esta edição da CWED é dedicada a Ísis, uma das maiores e mais importantes Deusas que conhecemos. Celebrada inicialmente no antigo Egito, teve Seu culto rapidamente espalhado para a Ásia Menor, Bretanha e Europa, adquirindo assim de diversas outras Deusas, rendendo-lhe o título de Senhora dos Dez Mil Nomes. Ela é a Grande Mãe e Senhora de todas as coisas, Guardiã de todos os Mistérios.

            Seu mito nos conta que Ísis era a personificação do poder dos faraós, de modo que Seu nome era escrito com o hieróglifo do trono. Ao lado de seu amado e irmão Osíris, ensinou aos homens as artes da tecelagem, do cultivo do solo e da medicina. Juntos, eram governantes honrados e justos, amados por todo o Seu povo. Tamanho carinho e popularidade causaram inveja e rancor em seu irmão Seth, que nunca se conformara por não ter ser o real governante.

            Consciente das más intenções de Seth, Ísis procurava sempre permanecer alerta para proteger Osíris dos planos de Seu irmão. No entanto, um certo dia, Osíris decidiu realizar um enorme banquete em Seu reino, para o qual todos foram convidados, inclusive Seth. Tendo esperado durante muito tempo por uma oportunidade para tomar o lugar de Osíris, Seth preparou uma armadilha da qual Osíris não conseguiu escapar.

            No dia da festividade, diante de toda a corte, Seth pôs-se a dizer maravilhas acerca de um sarcófago que havia ganho, feito com a mais nobre madeira, pintado com as mais belas cores e ricamente adornado com ouro. Logo, todos estavam curiosos para ver de perto tal obra de arte, pedindo a Seth que trouxesse o agora famoso sarcófago ao salão. Satisfeito com o bom andamento de seus planos, Seth prometeu que ofereceria o regalo àquele que coubesse nele.

            O que ninguém sabia era que Seth havia construído o sarcófago com as medidas de Osíris, de modo que este seria o único a caber perfeitamente lá dentro. Assim, quando Osíris entrou para experimentar o sarcófago, seu corpo ajustou-se perfeitamente à urna. Os guardas de Seth rapidamente o prenderam lá dentro e o levaram, para atirá-lo às águas do Nilo. Tendo sido previamente rendidos por Seth e seus ajudantes, os presentes nada puderam fazer para evitar o triste destino de seu verdadeiro governante.

            Tomada pelo desespero, Ísis pôs-se a chorar por seu amado. Ela cortou Seus cabelos e vestiu-se com as cores do luto, passando a vagar por todo o Egito à procura do sarcófago contendo seu corpo. Durante dias e dias, Ela seguiu em Sua busca, sem sucesso, até chegar às terras de Biblos, onde rumores acerca de uma esplêndida árvore que havia nascido junto às margens do rio.

            Ísis logo concluiu que o sarcófago havia deixado as águas e feito a árvore crescer maravilhosamente. Nutrida pela presença divina de Osíris, a árvore tornara-se tão grande que o rei de Biblos havia utilizado sua madeira para a construção de um palácio.

            Disfarçada como uma das amas do filho da rainha, Ísis passou a visitar Osíris todos os dias, conseguindo, finalmente, levar consigo o sarcófago com seu corpo, oferecido como presente pelo Rei ao descobrir que tão poderosa Deusa havia estado em seu reino.

            Ísis seguiu em viagem rumo ao Egito, agora levando consigo o corpo de seu querido irmão e amado. Seu amor era tão grande que Ela não aguentou chegar até Seu destino, abrindo o sarcófago no meio do caminho para poder ver Osíris mais uma vez. Nos braços da Deusa, ele parecia estar apenas dormindo. Ela o abraçou, beijando-lhe os olhos e, embalando-o, chorou lamentos de dor, revelando a profunda tristeza que guardava Seu coração.

            Ao aproximarem-se do Delta do Nilo, Ísis escondeu o enorme ataúde próximo aos pântanos do Delta, para que protegessem Osíris contra todos os perigos. Entretanto, Seth acabou descobrindo o sarcófago numa das noites em que saíra para caçar naquela região. Furioso, ele partiu o corpo de Osíris em 14 partes e as espalhou por todo o Egito, afim de evitar que Ísis tentasse novamente trazê-lo à vida.

            Mais uma vez, Seth havia tentado destruir Osíris. Entretanto, o amor de Ísis, maior e mais forte do que o rancor de Seth, a levou novamente à busca por seu amado. Ao lado de Sua irmã Néftis, ela novamente partiu em busca por Osíris, reunindo, após longos e dolorosos anos, pedaço por pedaço, erigindo altars em agradecimento em cada um dos lugares em que as encontraram. Dos quatorze pedaços do corpo de Osíris, apenas treze foram encontrados – o pênis do Deus havia sido infelizmente devorado por um peixe que habitava as águas do Nilo, e não existia mais.Isis_and_Osiris_in_grief_by_neffinesse

            Ísis criou um pênis de Ouro, e, após juntar as partes do corpo mutilado de seu irmão, o embalou em fino linho, tornando-o a primeira múmia. Ela então entoou uma canção profunda e poderosa, e, fazendo crescer longas asas em Seu corpo, cobriu-o, embalando-o no mais poderoso dos abraços, soprando-lhe a vida, para que Hórus pudesse ser concebido.

            A vida do Rei nunca pôde ser completamente restituída, de modo que ele não pôde mais governar as Terras do Egito, tornando-se o Rei do “Lugar que fica além do Horizonte Ocidental” – o soberano das terras dos Mortos, onde os ramos de Trigo cresciam a muitos metros do chão, abençoando àqueles que ali chegavam com a nova, eterna vida.

 

Lulu Saille é Sacerdotisa da Tradição Diânica Nemorensis, mora na Alemanha com seu marido Fabian e a pequena Princesa Sophie

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Costumes do Antigo Egito

Vamos agora conhecer um pouco mais dessa antiga civilização que há muitos milênios vem encantando gerações pelos seus mistérios.

            Conheceremos um pouco de sua escrita, cosmetologia, culinária e costumes.

A ESCRITA

            A língua egípcia é uma língua morta, mas que por milhares de anos foi usada por esse povo. Sua língua não só era utilizada para a comunicação do dia-a-dia, registros reais ou textos como também uma forma de magia.

            Segundo as crenças egípcias os segredos dos hieróglifos teriam sido entregues pelo deus Tehuti (Toth). Os egípcios chamavam sua língua de medunejter, que quer dizer: palavra sagrada.

            Logo abaixo temos o alfabeto egípcio para que possamos escrever nossos nomes e também um exemplo simples de encantamento de proteção.

alfabeto2

 

Se colocar seu nome dentro do cartucho, você terá um tradicional amuleto de proteção egípcia, basta consagrá-lo. Veja o exemplo como ficaria o nome Diana.

cartucho

             Além disso, vejamos algumas palavras em antigo egípcio para que possamos conhecer um pouco mais da língua falada na época dos antigos faraós.

Kemet = negra (o nome do Antigo Egito)          Dsheret = vermelha (o deserto)

Netjer = deus                       Netjeret= deusa       Hotep = paz, satisfação

Nefer = belo, bom               Nefert = bela, boa    Neferu = belos, bons

Nefer duait = bom dia        Nefer mecheru = boa tarde  Nefer kaui = boa noite

 

CULINÁRIA EGÍPCIA

            Os egípcios tinham uma alimentação que hoje sabemos ser muito equilibrada, afinal eles eram amantes da vida e como tal cuidar-se é importante. Lembre-se sempre que nosso corpo é nosso templo sagrado e deve ser preservado.

            Os egípcios consumiam em geral, peixes, frutas, carnes, verduras, legumes e cereais.

            Para beber os egípcios apreciavam muito a cerveja e o vinho. A cerveja inclusive tem origem egípcia, porém o seu sabor e textura é bem diferente da cerveja que conhecemos atualmente. O vinho era geralmente feito de tâmaras, só com a chegada dos gregos que os egípcios passaram a produzir vinhos com uva.

 

COSMETOLOGIA

            Os primeiros indícios de maquiagem datam do Antigo Egito, e simplesmente é o batom que hoje conhecemos, porém esse era feito de óxido de ferro. Além disso, os egípcios aprenderam a usar diversos materiais para a confecção de maquiagem, como minerais e pedras.

            Muitas dos costumes da maquiagem de hoje em dia são de origem egípcia, como por exemplo, delinear os olhos, pintar as pálpebras, os lábios, as bochechas.

            Outro fator curioso é que o perfume também teve origem no Antigo Egito, com os sacerdotes que produziam nos templos os óleos aromáticos utilizados para unção ritual deles próprios e das estátuas. Os egípcios consumiam muito óleos aromáticos para perfumarem seus corpos e protegerem-se do calor escaldante do dia.

            Uma das primeiras mulheres a escrever um livro sobre cosméticos foi Cleópatra, a famosa ultima rainha egípcia da época ptolomaica. Em seu livro podemos encontrar aplicações de argila na face, massagens corporais com óleos aromáticos, banhos de leite de cabra, dentre muitas outras curiosidades dos costumes de beleza das mulheres do mundo antigo.

            Espero que essas poucas informações ajudem aos buscadores encontrarem os caminhos corretos para seus estudos.

Jameku khet ne Netjeret!

Abençoados sejam povo da Deusa!

 

Nefersaaset (Andrei Cesar) é estudioso da
cultura egípcia, filho de Aset (Ísis) e adora
traduzir hieróglifos.

Nefersaaset (Andrei Cesar) é estudioso da cultura egípcia, filho de Aset (Ísis) e adora traduzir hieróglifos.

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Biscoito… Um costume ritual egípcio

ankhcookies12_07bOs primeiros registros existentes sobre o preparo de biscoitos estão ligados à época dos faraós, no antigo Egito, quando os homens descobriram que, do trigo cultivado às margens do rio Nilo, poderiam fazer uma massa que se tornava mais saborosa depois de aquecida.

Os biscoitos eram assados em fornos rústicos e moldados com formas humanas ou de animais, para serem oferecidos às divindades. Os egípcios acreditavam que dessa forma teriam chuvas e solo fértil o ano inteiro.

O hábito de produzir biscoitos estendeu-se aos poucos para outras regiões do Mediterrâneo e do Oriente Médio. Os assírios, os babilônios e os gregos também costumavam evocar seus deuses oferecendo-lhes biscoitos de trigo e mel.

O chocolate, o café e o chá eram bebidos sem adoçante, portanto, conservaram certo gosto de amargo. O rápido desenvolvimento das três novas bebidas foi, por isso, acompanhado por um crescimento paralelo do consumo de açúcar: aumentaram progressivamente o número de pratos doces como os biscoitos doces.

Mas foram os franceses que, ao longo dos séculos, descobriram novas técnicas para produzir biscoitos. A principal delas consistia em assar a massa duas vezes. Assim, a umidade se reduziria bastante e o período de conservação seria maior. A França também introduziu o uso do açúcar na receita, com o surgimento das primeiras máquinas a vapor para refino do açúcar. Foram essas inovações que permitiram ao biscoito chegar às mesas das famílias do mundo inteiro.

Curiosidade:
A palavra biscoito originou-se do francês “biscuit”, que significa “assado duas vezes”, e surgiu, inicialmente, pela necessidade de se conservar o pão por mais tempo. Depois que estivesse assado, acrescentavam-lhe alguns condimentos e assava-se novamente. Isso nos leva a concluir que os primeiros biscoitos da humanidade eram na verdade pães assados por duas vezes, aumentando desta forma a conservação do produto. Essencial para suprir as necessidades alimentícias dos guerreiros e exploradores durante longas viagens.

 

Biscoito de Mel aos Deuses…rush-bee

 

Ingredientes
6 ovos
1 copo de açúcar
1 copo de óleo
450 g de mel
7 copos de farinha de trigo
2 colheres (de chá) de bicarbonato de sódio

 

Preparo
Bata os ovos, o açúcar, o óleo, o mel de 5 a 7 minutos. Acrescente vagarosamente a farinha de trigo e o bicarbonato de sódio. Deixe ficar na geladeira durante a noite. Modele em bolinhas e achate-as com os dedos. Espalhe-as em assadeira polvilhada com farinha de trigo e asse em forno moderado de dez a quinze minutos. Molde de forma animal ou humana.

 

Dica
Enfarinhe as mãos quando formar as bolinhas. Para dar aos biscoitos uma casca torradinha, salpique a misture de farinha de trigo e açúcar na mesa e role a massa nesta mistura.

 

Ferris Noland é dedicado da Tradição Diânica
Nemorensis, mora em Brasília e desenvolve um
trabalho na área da gastronomia pagã que está
conquistando adeptos em todo Brasil.

 

Ferris Noland é dedicado da Tradição Diânica Nemorensis, mora em Brasília e desenvolve um trabalho na área da gastronomia pagã que está conquistando adeptos em todo Brasil.

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Círculos de Estudos da Tradição Diânica Nemorensis

 

Estão abertas as inscrições para os novos Círculos de Estudos da Tradição Diânica Nemorensis que iniciarão a partir de AGOSTO DE 2009. Para participar do Círculo de Estudos da TDN você precisa ser maior de idade e residir em SÃO PAULO ou poder viajar em uma base regular, para participar das aulas.
O intuito de nossos Círculos de Estudos é promover boas e sólidas infomações sobre a Arte. Com esta finalidade, Sacerdotes e Sacerdotisas de nossos Groves, Covens e Círculos de prática irão se revezar para compartilhar informações e conteúdo de qualidade com os alunos.
Apesar de focarmos o aprendizado para múltiplas áreas de interesse comum no Paganismo, nossos Círculos de Estudos possuem uma natural inclinação e ênfase para o Caminho Diânico em sua essência e são primeiramente direcionados para o estudo teórico da Wicca pela perspectiva do Dianismo.
Inscrições de menores de idade serão avaliadas criteriosamente somente para pessoas acima dos 16 anos. Neste caso, será necessário a expressa autorização por escrito dos responsáveis legais, acompanhada de xerox de um documento com foto.
Os encontros acontecem duas vezes ao mês e a taxa de participação é de R$25,00 mensais, destinados a cobrir custos com apostilas e material didático das aulas.
Só serão analisados os pedidos de inscrições remetidas a nós até o dia 31/07/2009.
Se você deseja se inscrever, envie sua solicitação para o e-mail:
dianicanemorensis@hotmail.com
Cordialmente, 
Conselho da TDN

 

Estão abertas as inscrições para os novos Círculos de Estudos da Tradição Diânica Nemorensis que iniciarão a partir de AGOSTO DE 2009. Para participar do Círculo de Estudos da TDN você precisa ser maior de idade e residir em SÃO PAULO ou poder viajar em uma base regular, para participar das aulas.

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O intuito de nossos Círculos de Estudos é promover boas e sólidas infomações sobre a Arte. Com esta finalidade, Sacerdotes e Sacerdotisas de nossos Groves, Covens e Círculos de prática irão se revezar para compartilhar informações e conteúdo de qualidade com os alunos.

Apesar de focarmos o aprendizado para múltiplas áreas de interesse comum no Paganismo, nossos Círculos de Estudos possuem uma natural inclinação e ênfase para o Caminho Diânico em sua essência e são primeiramente direcionados 

para o estudo teórico da Wicca pela perspectiva do Dianismo.

Inscrições de menores de idade serão avaliadas criteriosamente somente para pessoas acima dos 16 anos. Neste caso, será necessário a expressa autorização por escrito dos responsáveis legais, acompanhada de xerox de um documento com foto.

 

Os encontros acontecem duas vezes ao mês e a taxa de participação é de R$25,00 mensais, destinados a cobrir custos 

com apostilas e material didático das aulas.

Só serão analisados os pedidos de inscrições remetidas a nós até o dia 31/07/2009.

 

Se você deseja se inscrever, envie sua solicitação para o e-mail:

dianicanemorensis@hotmail.com

 

Cordialmente, 

Conselho da TDN

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E lá vamos nós…… 5ª CWED

como: Janet Farrar, Gavin Bone, Patricia
Crowther, M. Macha Nightmare e Cliff
Landis. Quem o público pode esperar para
esse ano?
Claudiney Prieto: “Ao longo de todos esses
anos voltamos os nossos olhos ao Paganismo
de fora, para aprender com aqueles que já
trilham esse caminho há mais tempo que nós.
No entanto, percebemos que o Paganismo
brasileiro, em muitos aspectos, é superior ao
estrangeiro. Temos um paganismo vibrante,
jovem, vivo, original e criativo que não deixa
nada a perder para o lá de fora. Desta forma,
este ano, voltamos os nossos olhos totalmente
para a nossa “casa”, recebendo apenas
palestrantes brasileiros de larga experiência e
visibilidade no cenário Pagão nacional. Isso
não significa que deixaremos de trazer
personalidades Pagãs internacionais, mas
expressa a nossa real vontade de mostrar que
o Paganismo brasileiro é um dos melhores do
mundo. O público seguramente pode esperar
pelos principais nomes do Paganismo
nacional e por palestras e atividades de alto
padrão.”
Pentáculo: Como foram feitas as escolhas
dos temas das palestras para a 5ª CWED?
Claudiney Prieto: “Existem duas maneiras
usadas para fazermos as escolhas das
atividades. A primeira, parte do convite da
Organização da CWED e a segunda, é feita
através de propostas de atividades enviadas a
nós quando abrimos o site da Conferência
para o envio destas propostas. Não
interferimos nos temas escolhidos pelos
palestrantes, apenas frisamos sempre que
buscamos por assuntos mais profundos e
menos explorados dentre os muitos existentes.
É claro, também primamos pela experiência e
nível dos palestrantes.”
Pentáculo: No ritual de encerramento,
tradicionalmente há um mito-drama, que
é encenado para o público presente. Quais
são as novidades para esse ano?
Claudiney Prieto: “Este ano decidimos
ampliar a realização dos mitos-drama e assim
faremos três rituais, um a cada dia. Na
abertura teremos a encenação da Morte de
Osíris. No segundo dia, contemplaremos o
renascimento do Deus dos Faraós e no terceiro
dia, no encerramento, celebraremos as cheias
do Nilo. Serão três rituais muito bonitos, com
cânticos egípcios tradicionais e muitas
novidades. Vale à pena conferir!”
Dayane Berton (Leanan Sídhe Tine) é
universitária do curso de jornalismo, fotógrafa,
canta excepcionalmente e toca .violão como
ninguém.

 

2007-141Em seu 5ª ano consecutivo, a conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa têm como intuito a promoção de programas, palestras, workshops e vivências para Wiccanianos, Pagãos e todas as religiões que celebram o Sagrado Feminino.

Considerado o maior evento de Wicca e Espiritualidade da Deusa na América Latina, o evento abrange várias comunidades e a integração entre elas. Recebendo pessoas de todo o Brasil, a CWED é ótimo local para fazer amigos, ampliar e aprofundar campo de conhecimento e para descoberta de novas experiências.

Além das palestras, o público também pode contar com uma feira de artigos para Bruxos. Dentre os expositores, podemos encontrar a venda de camisetas, livros, CDs, tambores, artesanatos manuais, jóias, e outros.

Esse ano, a CWED terá algumas novidades, e para conhecê-las o Pentáculo entrevistou o idealizador da conferência Claudiney Prieto, que nos apresentou o formato e suas expectativas para o evento esse ano.

 

Pentáculo: Quantas pessoas são esperadas esse ano pra a CWED?


Claudiney Prieto:O evento sempre tem em média de 300 a 500 pessoas. Essa é a estimativa para este ano também. Gostaríamos de ampliar o número de pessoas, mas infelizmente temos resistido a esse desejo, limitando a CWED a este número, em função da infra-estrutura que grandes eventos como este exigem.”

 

Pentáculo: A CWED acontece desde o ano de 2005, o que mudou desde o primeiro ano até agora?2005-10
 
Claudiney Prieto:Ao longo desses cinco anos percebemos que a busca das pessoas por temas que versam sobre aspectos mais profundos do Paganismo tem sido uma constante. Assim, temos tentado contemplar as palestras com os  temas menos discutidos, mais controvertidos ou aqueles que exigem um nível maior de conhecimento e aprofundamento no Paganismo. O intuito da Conferência é ser uma porta de acesso a todos os Pagãos de forma a permitir a ampliação de seus horizontes, paradigmas e grau prático e teórico de conhecimento.”

Pentáculo: O evento já é consagrado como o maior evento de Wicca e Espiritualidade da Deusa na América Latina,  e já recebeu grandes nomes do paganismo e neopaganismo, como, por exemplo, T.Thorn Coyle e Deborah Lipp. E também videoconferências com importantes personalidades, como: Janet Farrar, Gavin Bone, Patricia Crowther, M. Macha Nightmare e Cliff Landis. Quem o público pode esperar para esse ano?
 
Claudiney Prieto:Ao longo de todos esses anos voltamos os nossos olhos ao Paganismo de fora, para aprender com aqueles que já trilham esse caminho há mais tempo que nós. No entanto, percebemos que o Paganismo brasileiro, em muitos aspectos, é superior ao estrangeiro. Temos um paganismo vibrante, jovem, vivo, original e criativo que não deixa nada a perder para o lá de fora. Desta forma, este ano, voltamos os nossos olhos totalmente para a nossa “casa”, recebendo apenas palestrantes brasileiros de larga experiência e visibilidade no cenário Pagão nacional. Isso não significa que deixaremos de trazer personalidades Pagãs internacionais, mas expressa a nossa real vontade de mostrar que o Paganismo brasileiro é um dos melhores do mundo. O público seguramente pode esperar pelos principais nomes do Paganismo nacional e por palestras e atividades de alto padrão.”
 

Pentáculo: Como foram feitas as escolhas dos temas das palestras para a 5ª CWED?
 
Claudiney Prieto:Existem duas maneiras usadas para fazermos as escolhas das atividades. A primeira, parte do convite da Organização da CWED e a segunda, é feita através de propostas de atividades enviadas a nós quando abrimos o site da Conferência para o envio destas propostas. Não interferimos nos temas escolhidos pelos palestrantes, apenas frisamos sempre que buscamos por assuntos mais profundos e menos explorados dentre os muitos existentes. É claro, também primamos pela experiência e nível dos palestrantes.”
 

Pentáculo: No ritual de encerramento, tradicionalmente há um mitodrama, que é encenado para o público presente. Quais são as novidades para esse ano?
 
Claudiney Prieto:Este ano decidimos ampliar a realização dos mitosdramas e assim faremos três rituais, um a cada dia.  Na abertura teremos a encenação da Morte de Osíris. No segundo dia, contemplaremos o renascimento do Deus dos Faraós e no terceiro dia, no encerramento, celebraremos as cheias do Nilo. Serão três rituais muito bonitos, com cânticos egípcios tradicionais e muitas novidades. Vale à pena conferir!”

2006-3
 

Dayane Berton (Leanan Sídhe Tine) é universitária do curso de jornalismo, fotógrafa, canta excepcionalmente e toca violão como ninguém.

 

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Da Comemoração aos 10 Anos de Bruxaria à CWED

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Quando fui convidada para dividir um pouco da Bruxaria Italiana na CWED, me peguei muito pensativa. Fiquei ruminando nas minhas idéias o que poderia ser interessante contar para as pessoas que participariam do evento da minha prática e dos meus estudos, uma vez que não exatamente meu trabalho é dirigido a uma deusa específica (não, não sou devota de Diana) ou, tão pouco, sou wiccana. E isso me consumiu um pouco. Foi quando fui tomada por um raio de Zeus… uma daquelas idéias que aparecem num rompante, como tempestade e raios.

 

“Vou falar de família”, pensei. O grupo de prática da minha casa, minha experiência que acaba por se derramar entre outros grupos, não necessariamente wiccanos, mas que existe entre tantos e que, algumas vezes, nem ganha esse nome. Na verdade, poucas coisas ganham nomes nesse meio… simplesmente são. Simplesmente acontecem, se aprendem e se ensinam entre aqueles que tem o mesmo sangue ou até, compartilham o mesmo teto.

 

O trabalho de família permeia o conviver. Nem sempre tudo está bem. Nem sempre as coisas acontecem como desejamos ou mesmo, os relacionamentos são fluídos como imaginamos. Mas ainda assim, temos um compromisso. Um de manter tradições e de zelar. Pelo sangue, pelas pessoas e pelo bem-estar de quem forma um grupo. Famílias nem sempre são de sangue, mas agregam as pessoas. Acho que o preponderante de uma família é seu teto, o refúgio que se torna. E assim, com o tempo e com viver, grupos vão se tornando famílias. Pessoas vão percebendo em outras, que talvez não nasceram juntas, possibilidades e afinidades que fazem com que o vínculo entre elas se torne mágicko. As pessoas crescem e se fortalecem e sob um teto, aprendem como lidar com o mundo lá de fora e com tudo que o Universo proporciona.

 

O que eu vou expor da minha prática certamente não se encerra na minha família, mas também, não representa todo o trabalho de todas as famílias de streghe. Importa dizer que tudo acaba se dando de forma simples e cotidiana, porém com suas marcas e simbolismos, alguns, milenares. É o calor do fogão e o partilhar do alimento. É o carinho. A proteção. O fazer junto. E até o estudar separado para trocar idéias.

 

Eu acredito em encontros. Acredito que as pessoas se juntam e formam grupos afins e que eles crescem. E espero que assim seja para o crescimento de todos. E, talvez, num encontro como é a CWED e a mistura de experiências, vivências e ideas, pessoas diferentes ganhem bagagem, conferencistas ouçam novas práticas, e as pessoas possam, melhorar o seu convívio de grupo e família ou tenham como se estabelecer como tal.

Que Héstia nos aqueça!
Pietra di Chiaro Luna
dichiaroluna@yahoo.com
http://web.mac.com/dichiaroluna

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Homotheosis

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Muitos são os Pagãos gays que se sentem excluídos com a visão heterossexista de algumas Tradições Pagãs, que consequentemente transformam o Paganismo em uma religião heteronormativa e separatista muitas vezes.

Por isso, formas de culto alternativas baseadas numa perspectiva mais pessoal, tornou-se uma solução para os homens que não se sentem à vontade em ter que encarar o Deus como princípio máximo heterossexual da masculinidade e do masculino, já que muitos Pagãos também são homens e não são heterossexuais como o Deus é. Eu mesmo durante muito tempo de minha vida tive problemas em me relacionar com a figura do Deus Astado, já que eu era homem como ele mas não era heteressexual. Ao ter contato com o Paganismo Queer eu pude perceber que existiam outras formas de encarar a figura do Deus, que ele representa o Sagrado masculino em sua amplitude e tudo o que está contido nesse arquétipo e que ele era, inclusive, a expressão da homossexualidade tão renegada pelos segmentos tradicionalistas da Arte. Isso me possibilitou uma nova percepção de espiritualidade e uma cura com o Sagrado Masculino que, até então, não tinha ocorrido comigo ao usar as referências mais comuns disponíveis de relação com a figura do Deus.

O que eu percebi ao longo de todo esse tempo é que, como eu, muitos praticantes gays do Paganismo moderno percebem as figuras heteronormativas da Deusa e do Deus como demasiadamente limitadoras. Por isso, muitas crenças e práticas Pagãs entre os Queers foram autoconstruídas e/ou ampliadas pelos membros deste movimento. Uma das mais surpreendentes é a celebração de um Deus patrono dos gays, o Deus Queer, cuja energia só é acessada quando invocado pelos gays.

 

Para os Pagãos gays, o Deus Queer é considerado o primeiro reflexo visto pela Deusa quando Ela se mirava no espelho curvo e negro do Universo, fazendo amor consigo Mesma para criar toda a Vida. Ele é a própria imagem da Deusa refletida na luz do êxtase, no momento infinito da Criação. Se tornou o Seu primeiro amante e é a expressão do amor puro, a alegria ilimitada e a sexualidade em suas amplas manifestações. Ele representa não a heterossexualidade ou homossexualidade em si, mas a sexualidade como o abraço apaixonado do Divino, em cada um de nós e no Universo.

 

Assim, quando nos ligamos a uma outra pessoa no êxtase do amor, seja numa relação homossexual ou heterossexual, abraçamos o divino em nós mesmo, no outro e no universo. Esta é a chave para começar a conexão com o Deus Queer. Sendo assim, Pagãos homossexuais ou bissexuais o consideram seu patrono, já que ele pode ser considerado masculino e feminino, amando e se relacionando com ambos.

Muitos dizem que o Paganismo Queer é uma expressão separatista que não contribui em nada para o diálogo entre os muitos caminhos Pagãos. Eu vejo nele algo muito mais profundo do que a visão simplista do separatismo, etiquetar um movimento ou o mundo com títulos e estereótipos, argumentos muitas vezes usados para acusar aqueles que lançam novas idéias e interpretações de um contexto ou conceito que precisa ser revisto pela sociedade. Para mim, o Paganismo Queer dá um novo sentido à espiritualidade humana, ao passo que a homossexualidade, que foi tão renegada pela humanidade por séculos, assume um sentido espiritual, avança e passa a fazer parte da vida de todas as pessoas em seu dia a dia, inclusive no interior das religiões, sendo atualmente considerada uma expressão sexual perfeitamente normal pela maioria da sociedade, quando antes era vista como uma doença que devia ser banida da sociedade. Para mim isso é a expressão clara da ressacralização do que verdadeiramente somos.

A religião precisa compreender e responder às necessidades, tanto dos indivíduos quanto das comunidades a quem ela serve no mundo moderno. Quando uma religião não consegue adaptar sua estrutura aos avanços naturais do tempo, perde sua autoridade e se estagna. Isto faz com que seus símbolos deixem de inspirar e fortalecer seus seguidores, negligenciando suas experiências e marginalizando sua identidade e valores. Uma religião que não dialoga com sua comunidade se torna nula e vazia. O que os Pagãos Queers fazem é dar uma resposta a esta perda de significado espiritual, recriando novas formas de contatar o Divino que falem às experiências atuais daqueles que sentem e percebem o Sagrado de forma diferenciada. Isto cria uma tradição espiritual de poder, ligada àquilo que um dia existiu mas com raízes no presente, com uma visão abrangente e abertura para as gerações do futuro.

O Paganismo Queer não fala em limitar a espiritualidade pelo gênero ou pela preferência sexual. Fala em ampliar os horizontes, dando aos Pagãos ainda mais opções para enriquecer sua espiritualidade. Não estamos falando aqui em um Paganismo onde seja suprimida a presença da Deusa. Pelo contrário, estamos falando da apresentação de um Paganismo que apresente o Deus de uma maneira diferenciada, como Ele nunca foi apresentado em outros segmentos da Arte e que considere os arquétipos divinos homossexuais do Deus como sagrados também, resgatando todos os Mistérios e conhecimentos perdidos da Homotheosis.

Assim, os pagãos gays poderão descobrir que resgatar os poderes do Deus presentes em si e se tornar um homem de verdade não está ligado a sua preferência sexual, virilidade ou fragilidade, mas sim a sua maturidade emocional e espiritual. Tornar-se homem inclui vencer os limites, barreiras e tabus, algumas vezes impostos pela própria sociedade, que o impedem de expressar-se como ele verdadeiramente é, sem máscaras.

O Paganismo Queer vai muito além de uma briga de sexos ou identidade sexual, como alguns podem alegar. Seu verdadeiro significado está em penetrar nos Mistérios do Deus, que também tem sua face gay, que ama e aceita TODOS os seus filhos como eles são e que conhece que a autêntica masculinidade não está centrada em seu Phallus, mas em seu coração. Se vamos conhecer isso através da Deusa ou do Deus Queer, não importa. O importante é obter esta transformação. Quando isso acontecer, seremos verdadeiramente livres!

 

Claudiney Prieto é Best-seller dos livros Wiccanianos no Brasil, Élder e fundador da Tradição Diânica Nemorensis e filho da adorável D. Noêmia

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Arquivado em 5ª Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa