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Sob o véu de Ísis

           00300Esta edição da CWED é dedicada a Ísis, uma das maiores e mais importantes Deusas que conhecemos. Celebrada inicialmente no antigo Egito, teve Seu culto rapidamente espalhado para a Ásia Menor, Bretanha e Europa, adquirindo assim de diversas outras Deusas, rendendo-lhe o título de Senhora dos Dez Mil Nomes. Ela é a Grande Mãe e Senhora de todas as coisas, Guardiã de todos os Mistérios.

            Seu mito nos conta que Ísis era a personificação do poder dos faraós, de modo que Seu nome era escrito com o hieróglifo do trono. Ao lado de seu amado e irmão Osíris, ensinou aos homens as artes da tecelagem, do cultivo do solo e da medicina. Juntos, eram governantes honrados e justos, amados por todo o Seu povo. Tamanho carinho e popularidade causaram inveja e rancor em seu irmão Seth, que nunca se conformara por não ter ser o real governante.

            Consciente das más intenções de Seth, Ísis procurava sempre permanecer alerta para proteger Osíris dos planos de Seu irmão. No entanto, um certo dia, Osíris decidiu realizar um enorme banquete em Seu reino, para o qual todos foram convidados, inclusive Seth. Tendo esperado durante muito tempo por uma oportunidade para tomar o lugar de Osíris, Seth preparou uma armadilha da qual Osíris não conseguiu escapar.

            No dia da festividade, diante de toda a corte, Seth pôs-se a dizer maravilhas acerca de um sarcófago que havia ganho, feito com a mais nobre madeira, pintado com as mais belas cores e ricamente adornado com ouro. Logo, todos estavam curiosos para ver de perto tal obra de arte, pedindo a Seth que trouxesse o agora famoso sarcófago ao salão. Satisfeito com o bom andamento de seus planos, Seth prometeu que ofereceria o regalo àquele que coubesse nele.

            O que ninguém sabia era que Seth havia construído o sarcófago com as medidas de Osíris, de modo que este seria o único a caber perfeitamente lá dentro. Assim, quando Osíris entrou para experimentar o sarcófago, seu corpo ajustou-se perfeitamente à urna. Os guardas de Seth rapidamente o prenderam lá dentro e o levaram, para atirá-lo às águas do Nilo. Tendo sido previamente rendidos por Seth e seus ajudantes, os presentes nada puderam fazer para evitar o triste destino de seu verdadeiro governante.

            Tomada pelo desespero, Ísis pôs-se a chorar por seu amado. Ela cortou Seus cabelos e vestiu-se com as cores do luto, passando a vagar por todo o Egito à procura do sarcófago contendo seu corpo. Durante dias e dias, Ela seguiu em Sua busca, sem sucesso, até chegar às terras de Biblos, onde rumores acerca de uma esplêndida árvore que havia nascido junto às margens do rio.

            Ísis logo concluiu que o sarcófago havia deixado as águas e feito a árvore crescer maravilhosamente. Nutrida pela presença divina de Osíris, a árvore tornara-se tão grande que o rei de Biblos havia utilizado sua madeira para a construção de um palácio.

            Disfarçada como uma das amas do filho da rainha, Ísis passou a visitar Osíris todos os dias, conseguindo, finalmente, levar consigo o sarcófago com seu corpo, oferecido como presente pelo Rei ao descobrir que tão poderosa Deusa havia estado em seu reino.

            Ísis seguiu em viagem rumo ao Egito, agora levando consigo o corpo de seu querido irmão e amado. Seu amor era tão grande que Ela não aguentou chegar até Seu destino, abrindo o sarcófago no meio do caminho para poder ver Osíris mais uma vez. Nos braços da Deusa, ele parecia estar apenas dormindo. Ela o abraçou, beijando-lhe os olhos e, embalando-o, chorou lamentos de dor, revelando a profunda tristeza que guardava Seu coração.

            Ao aproximarem-se do Delta do Nilo, Ísis escondeu o enorme ataúde próximo aos pântanos do Delta, para que protegessem Osíris contra todos os perigos. Entretanto, Seth acabou descobrindo o sarcófago numa das noites em que saíra para caçar naquela região. Furioso, ele partiu o corpo de Osíris em 14 partes e as espalhou por todo o Egito, afim de evitar que Ísis tentasse novamente trazê-lo à vida.

            Mais uma vez, Seth havia tentado destruir Osíris. Entretanto, o amor de Ísis, maior e mais forte do que o rancor de Seth, a levou novamente à busca por seu amado. Ao lado de Sua irmã Néftis, ela novamente partiu em busca por Osíris, reunindo, após longos e dolorosos anos, pedaço por pedaço, erigindo altars em agradecimento em cada um dos lugares em que as encontraram. Dos quatorze pedaços do corpo de Osíris, apenas treze foram encontrados – o pênis do Deus havia sido infelizmente devorado por um peixe que habitava as águas do Nilo, e não existia mais.Isis_and_Osiris_in_grief_by_neffinesse

            Ísis criou um pênis de Ouro, e, após juntar as partes do corpo mutilado de seu irmão, o embalou em fino linho, tornando-o a primeira múmia. Ela então entoou uma canção profunda e poderosa, e, fazendo crescer longas asas em Seu corpo, cobriu-o, embalando-o no mais poderoso dos abraços, soprando-lhe a vida, para que Hórus pudesse ser concebido.

            A vida do Rei nunca pôde ser completamente restituída, de modo que ele não pôde mais governar as Terras do Egito, tornando-se o Rei do “Lugar que fica além do Horizonte Ocidental” – o soberano das terras dos Mortos, onde os ramos de Trigo cresciam a muitos metros do chão, abençoando àqueles que ali chegavam com a nova, eterna vida.

 

Lulu Saille é Sacerdotisa da Tradição Diânica Nemorensis, mora na Alemanha com seu marido Fabian e a pequena Princesa Sophie

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Arquivado em 5ª Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa

Costumes do Antigo Egito

Vamos agora conhecer um pouco mais dessa antiga civilização que há muitos milênios vem encantando gerações pelos seus mistérios.

            Conheceremos um pouco de sua escrita, cosmetologia, culinária e costumes.

A ESCRITA

            A língua egípcia é uma língua morta, mas que por milhares de anos foi usada por esse povo. Sua língua não só era utilizada para a comunicação do dia-a-dia, registros reais ou textos como também uma forma de magia.

            Segundo as crenças egípcias os segredos dos hieróglifos teriam sido entregues pelo deus Tehuti (Toth). Os egípcios chamavam sua língua de medunejter, que quer dizer: palavra sagrada.

            Logo abaixo temos o alfabeto egípcio para que possamos escrever nossos nomes e também um exemplo simples de encantamento de proteção.

alfabeto2

 

Se colocar seu nome dentro do cartucho, você terá um tradicional amuleto de proteção egípcia, basta consagrá-lo. Veja o exemplo como ficaria o nome Diana.

cartucho

             Além disso, vejamos algumas palavras em antigo egípcio para que possamos conhecer um pouco mais da língua falada na época dos antigos faraós.

Kemet = negra (o nome do Antigo Egito)          Dsheret = vermelha (o deserto)

Netjer = deus                       Netjeret= deusa       Hotep = paz, satisfação

Nefer = belo, bom               Nefert = bela, boa    Neferu = belos, bons

Nefer duait = bom dia        Nefer mecheru = boa tarde  Nefer kaui = boa noite

 

CULINÁRIA EGÍPCIA

            Os egípcios tinham uma alimentação que hoje sabemos ser muito equilibrada, afinal eles eram amantes da vida e como tal cuidar-se é importante. Lembre-se sempre que nosso corpo é nosso templo sagrado e deve ser preservado.

            Os egípcios consumiam em geral, peixes, frutas, carnes, verduras, legumes e cereais.

            Para beber os egípcios apreciavam muito a cerveja e o vinho. A cerveja inclusive tem origem egípcia, porém o seu sabor e textura é bem diferente da cerveja que conhecemos atualmente. O vinho era geralmente feito de tâmaras, só com a chegada dos gregos que os egípcios passaram a produzir vinhos com uva.

 

COSMETOLOGIA

            Os primeiros indícios de maquiagem datam do Antigo Egito, e simplesmente é o batom que hoje conhecemos, porém esse era feito de óxido de ferro. Além disso, os egípcios aprenderam a usar diversos materiais para a confecção de maquiagem, como minerais e pedras.

            Muitas dos costumes da maquiagem de hoje em dia são de origem egípcia, como por exemplo, delinear os olhos, pintar as pálpebras, os lábios, as bochechas.

            Outro fator curioso é que o perfume também teve origem no Antigo Egito, com os sacerdotes que produziam nos templos os óleos aromáticos utilizados para unção ritual deles próprios e das estátuas. Os egípcios consumiam muito óleos aromáticos para perfumarem seus corpos e protegerem-se do calor escaldante do dia.

            Uma das primeiras mulheres a escrever um livro sobre cosméticos foi Cleópatra, a famosa ultima rainha egípcia da época ptolomaica. Em seu livro podemos encontrar aplicações de argila na face, massagens corporais com óleos aromáticos, banhos de leite de cabra, dentre muitas outras curiosidades dos costumes de beleza das mulheres do mundo antigo.

            Espero que essas poucas informações ajudem aos buscadores encontrarem os caminhos corretos para seus estudos.

Jameku khet ne Netjeret!

Abençoados sejam povo da Deusa!

 

Nefersaaset (Andrei Cesar) é estudioso da
cultura egípcia, filho de Aset (Ísis) e adora
traduzir hieróglifos.

Nefersaaset (Andrei Cesar) é estudioso da cultura egípcia, filho de Aset (Ísis) e adora traduzir hieróglifos.

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