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Festa Junina – A vida purificada no fogo pagão

lhe sobra em interesses comerciais. Porém,
não podemos negar que também somos
passíveis de gostar de alguns costumes das
festas Juninas, como por exemplo, as
comidas típicas, bebidas quentes e a
fogueira. E não devemos recear diante
desse gosto, pois pode estar no nosso
passado a relação que temos com essa festa
que é em sua origem a celebração do
Solstício de Verão no hemisfério norte.
Origem Histórica
A festa que originalmente comemora o
solstício de verão no dia 24 de junho no
hemisfério norte, foi transformada em uma
comemoração cristã na Idade Média, e
batizada como Festa de São João. A data
escolhida pela igreja católica para marcar
como nascimento de São João Batista
(aquele que purificava os judeus pecadores
no Rio Jordão) não foi ao acaso. Na cultura
pagã, em diversas ocasiões os elementos
água e fogo são utilizados para a realização
de purificação, através de banhos, infusões,
queimas e outros. Já o simbolismo bíblico
de João (o purificador) é o mesmo dos
elementos água e fogo no paganismo, que
pode ser constatado até mesmo nos
evangelhos pelas palavras do próprio “Eu
utilizo a água, mas aquele que vier depois
de mim batizará com o fogo”. Com essa
relação, era possível que a igreja realizasse
a transição religiosa de pagãos à cristãos,
sem que sofressem grandes impactos
culturais, e dessa forma aceitassem as
mudanças sem questionamento.
A igreja católica no concilio no ano de 452,
reuniu bispos da França e Itália para
combater costumes pagãos, declarando a
repressão cultural com afirmações como a
seguinte: “Que ninguem, na festa de São
João ou determinadas solenidades ligadas
aos santos, se dedique a observar os
solstícios, as danças e os cantos diabólicos”.
Com o passar do tempo, a purificação pela
água foi eliminada pela igreja, mas a
tradição da fogueira foi mantida e o
costume de pulá-las em busca de
purificação é realizada até a atualidade com
outras motivações.
Acesse o nosso blog e confira em breve o
link para as fotos da 5ª Conferência de
Wicca e Espiritualidade da Deusa.
Feliz Yule a todos!!
Sobrevivendo ao tempo
Mesmo que combatidas ferozmente pelas
cruzes da igreja, as fogueiras pagãs
resistiram ao tempo. As manifestações
Pagãs da festa resistem e vivem em outras
culturas pelo mundo, mesmo que
discretamente. Na França, às margens do
rio Loire, eram promovidos banhos
ritualísticos para eliminar energias
negativas, realizando assim, a purificação
do corpo. Nessas ocasiões, também era
possível observar as barcas em chamas, que
podiam ser vistas pelo rio purificando pelo
fogo.
Em alguns outros lugares, as tradições
mágicas do paganismo anteriormente
realizadas no solstício de verão, sobrevivem
e são praticadas sob máscaras e
nomenclaturas cristãs. Como por exemplo,
a tradição de beber o “orvalho de São João”
com o objetivo de que esse fluido pudesse
purificar as pessoas que o ingerisse.
Em outra situação, moças se adornavam
com flores vermelhas para dançar em torno
do fogo, a fim de melhorar a sedução do
futuro noivo. Aqui no Brasil, apesar de
muito modificada, essa tradição é tida
como danças de quadrilhas em torno das
fogueiras e casamentos cênicos. E por
último, vale citar também que no leste da
França, resistia o costume de arremessar
gui r landa de palha em chamas ,
simbolizando a roda do ano, do alto das
colinas para que fosse possível a
purificação e fertilização do solo pelas
forças masculinas do Sol sobre a Terra.
No fim das contas, mais uma vez,
concluímos que não importa quanto tempo
e espaço nos distanciam dos nossos
antepassados pagãos. Pois constantemente
estamos revivendo em nossos corações
aquilo que é mais importante, que é o
sentimento antigo vivo na atualidade.
Vivemos o contato direto com as nossas
origens pagãs, mesmo que disfarçadas com
máscaras do presente. O passado revive em
nossa essência, trazendo no frio de junho a
lembrança do calor da roda nórdica que
atravessou os séculos. s
André Correia
Psicólogo Clínico e Bruxo
andrecorreiapsi@hotmail.com

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Já é do nosso conhecimento que muitas das festas e comemorações da cultura brasileira atual são baseadas no calendário e costumes cristãos. O que poucas pessoas sabem, é que muitas dessas festas e costumes celebrados e festejados são enraizados nas culturas pré-cristãs e recheadas de simbolismos, magia e espírito pagão. Sabendo isso, é possível relacionarmos as festas ditas cristãs, como a Páscoa, o Natal, o Dia de Finados e a Festa Junina, com as festas pagãs Ostara, Yule, Samhain e Litha respectivamente (com adaptações a roda norte/sul).

No Brasil uma das festas mais esperada e amplamente comemorada, é a Festa Junina. Sempre marcada pelas noites frias, ao contrário do que acontecia no hemisfério norte, no seu passado histórico.

Nos costumes brasileiros, as igrejas das cidades realizam quermesse com muitas atrações para recolher lucros em troca de algumas prendas. Não é difícil reconhecer que tal costume, pouco tem de religioso, e lhe sobra em interesses comerciais. Porém, não podemos negar que também somos passíveis de gostar de alguns costumes das festas Juninas, como por exemplo, as comidas típicas, bebidas quentes e a fogueira. E não devemos recear diante desse gosto, pois pode estar no nosso passado a relação que temos com essa festa que é em sua origem a celebração do Solstício de Verão no hemisfério norte.

Origem Histórica

A festa que originalmente comemora o solstício de verão no dia 24 de junho no hemisfério norte, foi transformada em3168126389_544d04e739 uma comemoração cristã na Idade Média, e batizada como Festa de São João. A data escolhida pela igreja católica para marcar como nascimento de São João Batista (aquele que purificava os judeus pecadores no Rio Jordão) não foi ao acaso. Na cultura pagã, em diversas ocasiões os elementos água e fogo são utilizados para a realização de purificação, através de banhos, infusões, queimas e outros. Já o simbolismo bíblico de João (o purificador) é o mesmo dos elementos água e fogo no paganismo, que pode ser constatado até mesmo nos evangelhos pelas palavras do próprio “Eu utilizo a água, mas aquele que vier depois de mim batizará com o fogo”. Com essa relação, era possível que a igreja realizasse a transição religiosa de pagãos à cristãos, sem que sofressem grandes impactos culturais, e dessa forma aceitassem as mudanças sem questionamento.

A igreja católica no concilio no ano de 452, reuniu bispos da França e Itália para combater costumes pagãos, declarando a repressão cultural com afirmações como a seguinte: “Que ninguem, na festa de São João ou determinadas solenidades ligadas aos santos, se dedique a observar os solstícios, as danças e os cantos diabólicos”.

Com o passar do tempo, a purificação pela água foi eliminada pela igreja, mas a tradição da fogueira foi mantida e o costume de pulá-las em busca de purificação é realizada até a atualidade com outras motivações.

Sobrevivendo ao tempo

Mesmo que combatidas ferozmente pelas cruzes da igreja, as fogueiras pagãs resistiram ao tempo. As manifestações Pagãs da festa resistem e vivem em outras culturas pelo mundo, mesmo que discretamente. Na França, às margens do rio Loire, eram promovidos banhos ritualísticos para eliminar energias negativas, realizando assim, a purificação do corpo. Nessas ocasiões, também era possível observar as barcas em chamas, que podiam ser vistas pelo rio purificando pelo fogo.

Em alguns outros lugares, as tradições mágicas do paganismo anteriormente realizadas no solstício de verão, sobrevivem e são praticadas sob mascaras e nomenclaturas cristãs. Como por exemplo, a tradição de beber o “orvalho de São João” com o objetivo de que esse fluido pudesse purificar as pessoas que o ingerisse. Em outra situação, moças se adornavam com flores vermelhas para dançar em torno do fogo, a fim de melhorar a sedução do futuro noivo. Aqui no Brasil, apesar de muito modificada, essa tradição é tida como danças de quadrilhas em torno das fogueiras e casamentos cênicos. E por último, vale citar também que no leste da França, resistia o costume de arremessar guirlanda de palha em chamas, simbolizando a roda do ano, do alto das colinas para que fosse possível a purificação e fertilização do solo pelas forças masculinas do Sol sobre a Terra.

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No fim das contas, mais uma vez, concluímos que não importa quanto tempo e espaço nos distanciam dos nossos antepassados pagãos. Pois constantemente estamos revivendo em nossos corações aquilo que é mais importante, que é o sentimento antigo vivo na atualidade. Vivemos o contato direto com as nossas origens pagãs, mesmo que disfarçadas com máscaras do presente. O passado revive em nossa essência, trazendo no frio de junho a lembrança do calor da roda nórdica que atravessou os séculos.

André Correia é psicólogo clínico e bruxo andrecorreiapsi@hotmail.com

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Arquivado em 8ª edição - Yule 2009